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| Focos do mosquito são locais com água parada, seja limpa ou com sujeira (Rafael Vieira/DP Fotos) |
Pernambuco registrou aumento nas notificações de dengue
e chikungunya em 2026, na comparação com o mesmo período do ano
passado. Dados do Informe Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE),
referentes à Semana Epidemiológica, apontam 45.017 notificações de
dengue entre 4 de janeiro e 29 de agosto. O número representa uma alta
de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Do total registrado neste ano, 22.281 são considerados
casos prováveis de dengue, que reúnem os casos confirmados e aqueles
ainda em investigação. Outros 22.736 foram descartados. Até o período
analisado, 10.848 casos haviam sido confirmados e 649 apresentavam
sinais de alarme ou gravidade.
A incidência da doença chegou a 233 casos prováveis por
100 mil habitantes. Pernambuco tinha 41 municípios classificados com
alta incidência, 56 com incidência média e 81 com baixa incidência.
Outros sete municípios não apresentaram registro de caso provável.
A chikungunya também teve crescimento nas notificações.
Foram 6.292 registros em 2026, alta de 20,8% em comparação com o mesmo
período de 2025.
O boletim aponta 2.187 casos prováveis e 346 confirmações.
A incidência estadual chegou a 22,9 casos prováveis por
100 mil habitantes. Entre os municípios analisados, 60 não apresentavam
casos prováveis, enquanto 120 estavam classificados com baixa
incidência. Três municípios tinham incidência média e dois apresentavam
alta incidência.
Em relação ao vírus Zika, Pernambuco registrou 1.128
notificações em 2026, uma queda de 5,8% comparado ao registrado no mesmo
período de 2025, de acordo com os dados da SES.
Do total deste ano, 104 foram classificados como casos prováveis e nenhum havia sido confirmado até o fechamento dos dados.
O boletim também registra 12 casos prováveis de Zika em gestantes.
Óbitos
Até a divulgação do último boletim epidemiológico,
Pernambuco tinha três óbitos confirmados por arboviroses em 2026,
segundo a SES-PE. Outros 22 óbitos permaneciam em investigação e 25
haviam sido descartados.
No mesmo período de 2025, cinco mortes haviam sido
confirmadas, de acordo com o diretor-geral de Vigilância Ambiental da
SES-PE, Eduardo Bezerra. Houve, portanto, uma redução de 40% nas mortes
confirmadas.
Entre os municípios da Região Metropolitana do Recife,
os maiores números de casos prováveis de dengue aparecem no Recife e em
Jaboatão dos Guararapes.
O Recife contabilizou 3.048 casos prováveis em 2026. No mesmo período de 2025, eram 3.186, segundo a tabela municipal da SES-PE.
Jaboatão dos Guararapes passou de 1.692 casos prováveis
em 2025 para 2.836 em 2026. Olinda e Paulista, por outro lado,
apresentaram redução. Em Olinda, passando de 1.387 para 761 casos
prováveis e, em Paulista, de 1.170 para 912 casos.
Controle
Segundo Eduardo Bezerra, o Estado mantém ações permanentes
de monitoramento epidemiológico e da presença do mosquito, além de
orientar os municípios para bloqueios e aplicação de larvicidas e
distribuir insumos enviados pelo Ministério da Saúde.
Também estão entre as estratégias a instalação de capas
de proteção para reservatórios em comunidades indígenas e quilombolas e
a utilização da Técnica do Inseto Estéril (TIE) no território indígena
Xukuru do Ororubá, em Cimbres, distrito de Pesqueira.
A SES-PE também informou que realiza ações de
mobilização com escolas, equipes da Atenção Primária e profissionais de
vigilância dos municípios. As medidas podem ser intensificadas conforme o
cenário epidemiológico.
Para o segundo semestre de 2026, existe ainda uma
preocupação extra sobre os impactos do El Niño, que interfere no volume
de chuvas e no ciclo de vida dos mosquitos. Sobre essa questão, Eduardo
Bezerra diz que "Pernambuco já conta com um plano para o enfrentamento
dos possíveis impactos do El Niño, elaborado dentro dos parâmetros do
Ministério da Saúde. Além disso, desde o ano passado, o Governo do
Estado mantém um comitê de estiagem, reunindo diferentes secretarias
para atuação integrada diante desses cenários".
Vacinação
Desde o início da estratégia de vacinação contra a
dengue pelo SUS, em 2024, até 7 de setembro de 2026, Pernambuco aplicou
268.809 doses em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Desse total, 184.046 foram primeiras doses e 84.763,
segundas doses. No mesmo período, 394.950 doses foram distribuídas aos
municípios, sendo 215.094 de primeira dose e 179.856 de segunda.
A estratégia prevê duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações do Diário de Pernambuco