Mostrando postagens com marcador Trabalhadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalhadores. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Catorze trabalhadores em situação análoga à escravidão são resgatados no Sertão de Pernambuco

Ações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel foram realizadas nos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí (Divulgação).

Catorze trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão foram resgatados nas cidades de Exu e Parnamirim, no Sertão de Pernambuco, em ação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), coordenado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego, durante inspeções realizadas entre os dias 26 de outubro e 5 de novembro.

Também foram registrados cinco resgates em Caldeirão Grande do Piauí (PI) e um em Juazeiro do Norte (CE). Além disso, o GEFM encontrou um adolescente de 15 anos atuando na quebra de pedras em Exu.

Ao todo, os auditores-fiscais inspecionaram oito frentes de trabalho ligadas à cadeia de extração e beneficiamento de pedras de paralelepípedo, além de uma obra pública que utilizava o material produzido nas pedreiras. Em seis locais, foram constatadas condições degradantes de trabalho, ausência completa de direitos trabalhistas e graves riscos à saúde e à vida dos trabalhadores.

Condições precárias e riscos graves

Segundo o relatório do GEFM, os trabalhadores viviam em barracos de lona e madeira, erguidos sobre o chão batido, sem banheiros, água potável ou chuveiros. Dormiam em redes ou colchões velhos e preparavam as refeições em fogões improvisados, consumindo os alimentos sentados no chão. Em uma das pedreiras, porcos circulavam livremente e se alimentavam de restos de comida dentro das vasilhas usadas pelos quebradores de pedra.

A água utilizada era armazenada em tambores reaproveitados e contaminados por insetos, folhas e terra. Além disso, as necessidades fisiológicas eram feitas ao ar livre, e o banho era tomado com baldes e canecas.

Nas frentes de corte das pedras, os fiscais encontraram o uso de ferramentas rudimentares e explosivos artesanais, feitos com pólvora negra, salitre e carvão, acionados por fios ligados a baterias de automóveis — prática considerada altamente perigosa por representar risco de mutilação e morte.

Nenhum trabalhador possuía equipamentos de proteção individual, exames médicos ou vínculo formal de emprego.

Obra pública envolvida

A operação também alcançou uma obra de pavimentação pública, onde parte das pedras das pedreiras era utilizada. No local, três trabalhadores foram encontrados em uma casa precária, sem banheiro, água encanada ou local adequado para refeições e armazenamento de ferramentas. Assim como nas pedreiras, nenhum tinha registro em carteira.

As investigações apontaram que parte significativa da produção das pedreiras abastecia obras contratadas por prefeituras de Pernambuco, revelando falta de controle e fiscalização sobre a origem dos insumos utilizados em contratos públicos.

Medidas adotadas

Diante das irregularidades, o GEFM resgatou os 20 trabalhadores e afastou o adolescente de 15 anos das atividades, garantindo acesso a três parcelas do seguro-desemprego especial e encaminhamento à rede de assistência social dos municípios.

No total, 43 trabalhadores foram alcançados pela operação — todos sem registro em carteira de trabalho. Os empregadores foram notificados a regularizar vínculos, pagar verbas rescisórias e recolher encargos trabalhistas e previdenciários. Até o momento, R$ 80 mil em verbas trabalhistas já foram pagos.

A Defensoria Pública da União (DPU) firmou Termos de Ajuste de Conduta (TACs) para garantir indenizações por danos morais individuais aos trabalhadores resgatados.

As ações contaram com o apoio da Polícia Federal (PF) e a coordenação da auditora-fiscal do trabalho Gislene Stacholski, que destacou a gravidade das situações encontradas. “O que se constatou nessas pedreiras e na obra representa a face mais dura da exploração humana”, afirmou a coordenadora.

Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco 
Com informações do Diário de Pernambuco

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Greve na Compesa: trabalhadores cruzam os braços e prometem paralisação total por tempo indeterminado

Categoria rejeita propostas da empresa e protesta contra risco de privatização; mobilizações ocorrem em várias regiões do Estado.

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) enfrenta um impasse que promete impactar o abastecimento em várias regiões do Estado. Trabalhadores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta segunda-feira (13), após rejeitarem as propostas apresentadas pela direção da empresa.

A decisão foi tomada em assembleias realizadas em Recife, Caruaru e Petrolina, organizadas pelo Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco (Sindurb-PE). Com isso, unidades operacionais serão paralisadas e cargos gerenciais entregues, em um movimento que pretende pressionar a Compesa a atender as principais reivindicações da categoria.

Entre as exigências dos profissionais estão a reposição integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ganho real nos salários e estabilidade no emprego por 35 anos, período correspondente à concessão parcial dos serviços de abastecimento e esgotamento sanitário prevista para ser leiloada até o fim do ano.

A categoria acusa a direção da empresa de não avançar nas negociações e demonstra preocupação com a possível entrada do setor privado na operação do sistema. Segundo o Sindurb-PE, a proposta da Compesa, que prevê apenas a reposição inflacionária em um acordo de dois anos, foi considerada insuficiente.

O sindicato afirma que a greve é uma resposta à “falta de valorização e de respeito com os trabalhadores”, reforçando que o movimento busca garantir um Acordo Coletivo de Trabalho justo e duradouro.

Enquanto os funcionários organizam mobilizações em frente à sede administrativa, no bairro de Santo Amaro, e nas gerências regionais do interior, a Compesa garante que os serviços seguem funcionando normalmente.

A empresa também confirmou que uma reunião de conciliação foi marcada para esta segunda-feira (13) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na tentativa de restabelecer o diálogo e evitar que a paralisação se prolongue. O desfecho dessa negociação pode definir o futuro dos trabalhadores da Compesa e também o rumo do saneamento público em Pernambuco.
 
Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações do Blog Estação Notícias
 

Operação desarticula grupo investigado por envolvimento com o tráfico de drogas em Surubim

Três mandados de busca e apreensão domiciliar foram cumpridos. (Foto: Divulgação/Polícia Civil PE) A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) def...