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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Cancelamentos de pedidos após eleições acendem alerta no Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe

Relatos de comerciantes sobre desistências de clientes de outras regiões levantam preocupação. Foto: Blog Estação Notícias
 
Relatos de comerciantes e representantes do setor de confecções apontam cancelamentos de pedidos por parte de clientes do Sul e Sudeste após as eleições. A situação gera preocupação em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco, município que tem na produção e comercialização de roupas uma das principais bases de sua economia.

Até o momento, não há confirmação de que os cancelamentos tenham relação com o resultado das urnas. Outros fatores também podem estar envolvidos, e não é possível atribuir motivação política aos casos apenas com base nos relatos divulgados.

A preocupação, porém, é relevante. Por trás de cada encomenda existem comerciantes, fabricantes, costureiras, vendedores e famílias que dependem diretamente da cadeia produtiva da confecção para garantir sua renda.

Uma eventual redução nas compras pode trazer consequências para quem trabalha no setor, especialmente em uma cidade cuja economia tem forte ligação com o comércio de roupas.

O momento exige cautela para que relatos isolados não sejam tratados como uma tendência confirmada. Caso os cancelamentos sejam motivados por divergências políticas, a situação também levanta um debate sobre os impactos dessas decisões sobre trabalhadores e pequenos negócios.

Independentemente das escolhas eleitorais, o respeito precisa prevalecer. A economia do Polo de Confecções envolve milhares de pessoas e merece ser valorizada, sem que acusações sem comprovação sejam transformadas em certezas.
 
Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações do Blog Estação Notícias

terça-feira, 5 de maio de 2026

Em defesa do Polo de Confecções e contra a extinção da “Taxa das Blusinhas” e do aumento de impostos das matérias-primas da indústria têxtil


Vamos tratar de uma preocupação que não é apenas de Santa Cruz do Capibaribe, de Toritama ou de Caruaru. É uma preocupação de Pernambuco e do Brasil produtivo. É uma preocupação das milhares de pessoas que costuram, cortam, bordam, vendem, transportam, empreendem e sustentam suas famílias com o trabalho honesto no setor têxtil.

Nos últimos dias, o ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe, o senhor Bruno Bezerra, fez um alerta público sobre dois movimentos que, se não forem tratados com equilíbrio, podem atingir em cheio o nosso Polo de Confecções do Agreste.

De um lado, discute-se a possibilidade de reduzirem, ou até mesmo acabarem, com a chamada “taxa da blusinha” – um imposto federal de 20% que incide sobre compras internacionais de até cinquenta dólares.

Esse imposto incide sobre grande parte das roupas adquiridas pela internet, muitas de origem chinesa.

O assunto precisa ser discutido com muita responsabilidade, até porque não estamos falando apenas de compras individuais.

Estamos falando de algo que impacta diretamente a indústria nacional em geral e o nosso Polo de Confecções, em particular.

Afinal de contas, o pequeno, médio ou grande empresário da indústria têxtil do Agreste paga imposto, gera emprego, compra máquina, contrata costureira, movimenta o comércio, paga frete, paga energia e sustenta a economia de toda uma região aqui do estado.

Portanto, não é justo permitir que roupas prontas entrem no país em condições mais vantajosas, competindo de forma desigual com quem produz e gera emprego e renda aqui.

Por outro lado, existe outra preocupação igualmente grave.
Há análises em curso para encarecer a importação de tecidos e demais matérias-primas que a própria indústria nacional ainda não consegue fornecer em quantidade, variedade ou preço suficientes para atender à demanda das confecções brasileiras.

E exatamente aí que reside a contradição que precisamos enfrentar.

O Governo Federal precisa compreender que não faz sentido algum facilitar a entrada de roupas prontas importadas e, ao mesmo tempo, encarecer vários tipos de insumos que as confecções brasileiras precisam importar para continuar produzindo.

Nesse jogo de empurra-empurra, quem fica espremido é o pequeno confeccionista, é o comerciante, é a costureira, é a família que vive da moda pernambucana.

Ou seja: o mais prejudicado é justamente quem mais trabalha, quem mais empreende, quem mais gera emprego e movimenta a economia real do nosso país.

Até porque, quando falamos do Polo de Confecções do Agreste, estamos falando de uma potência econômica não apenas a nível regional ou estadual, mas de destaque nacional.

Em 2025, somente Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama faturaram cerca de R$ 19 bilhões.

Além disso, juntas, essas três cidades arrecadaram mais de R$ 1,1 bilhão em ICMS para Pernambuco no ano passado.

Os números de 2026 também confirmam essa pujança: apenas entre janeiro e março, Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama somaram mais de R$ 272 milhões em ICMS.

Portanto, nós, enquanto representantes da região, precisamos nos posicionar diante de uma ameaça como essa.

Nós não somos contra a importação.
Mas nós somos contra a concorrência desleal.

Somos contra uma política que favorece o produto pronto estrangeiro, ao mesmo tempo em que aumenta o custo de quem produz em nosso país.

Minhas amigas e meus amigos, defender o Brasil de verdade exige coerência.

Não podemos asfixiar o setor produtivo.

É preciso combater a concorrência predatória sem penalizar quem depende de insumos importados, uma vez que o mercado interno ainda não atende plenamente à demanda existente.

Por isso, faço aqui um apelo ao Governo Federal: ouça o Polo de Confecções do Agreste.  Ouça os pequenos e médios empreendedores.
Ouça quem está na ponta e conhece a realidade dos fabricos, das feiras, das lavanderias, dos centros atacadistas e das lojas.

Faço também um chamado ao Governo de Pernambuco, para que ele lidere essa mobilização.
É preciso reunir as entidades empresariais, os prefeitos, esta Assembleia Legislativa, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a Secretaria da Fazenda e todos os atores públicos e privados envolvidos nessa cadeia produtiva tão importante para o nosso povo.

E faço, de modo especial, um apelo à nossa Bancada Federal:
Os deputados e Senadores de Pernambuco precisam falar de maneira convergente e uníssona em Brasília, em defesa do Polo de Confecções do Agreste.

A defesa dessa causa deve unir a todos nós, independentemente de bandeira ideológica ou coloração partidária.

O Polo nasceu da criatividade, da necessidade, do trabalho de famílias humildes, da força das mulheres, da ousadia dos pequenos empreendedores e da capacidade de transformar dificuldade em desenvolvimento.

E hoje, representa emprego, renda, arrecadação, desenvolvimento e dignidade para milhares de famílias pernambucanas.

Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru vestem o Brasil.  E quem veste o Brasil merece respeito e consideração.

Edson Vieira
Deputado Estadual (Podemos – PE)
Representante do Polo de Confecções

Recife/PE, 05 de maio de 2026.

 Por Edson Vieira 

Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco


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