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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Vítimas de incidentes com tubarão em Pernambuco colocam próteses em tratamento de reabilitação

Vítimas de incidentes com tubarão no Recife colocam próteses em tratamento de reabilitação - Foto: Instagram @ortopediaboaviagem/Cortesia

As duas vítimas de incidentes com tubarões em Pernambuco em maio e junho deste ano receberam próteses para seguirem com a adaptação à nova vida.

João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima, 19, tiveram membros amputados enquanto mergulhavam, respectivamente, nas praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e de Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. 

A evolução do tratamento foi publicada nas redes sociais pela clínica Ortopedia Boa Viagem, localizada no bairro da Boa Vista, Centro da capital. O perfil também chegou a compartilhar vídeos das sessões de fisioterapia com ambos e os trabalhos regenerativos que foram feitos.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o fisioterapeuta Tiago Bessa, que atuou e acompanhou de perto o tratamento dos dois, explicou o processo de reabilitação pelo qual uma pessoa precisa passar até a colocação das próteses.

Segundo o especialista, a reabilitação é individualizada, e, portanto, varia de paciente para paciente. No primeiro momento, é feito um trabalho de controle de dor, seja no membro "fantasma" -aquele que já não está mais no corpo do paciente- ou não.

Depois disso, há um fortalecimento do membro residual, chamado de "coto de amputação", para que o corpo possa drenar o edema deixado.

"A gente trabalha a mobilidade do paciente, das articulações, a força e o ganho de força muscular, que são muito importantes para o equilíbrio. A preparação do paciente de uma forma geral para poder receber essa prótese. Nessa avaliação inicial, a gente vai sugerir os tipos de próteses que são indicados para o paciente, por exemplo, tipos de joelhos, tipos de encaixes da prótese", afirmou o fisioterapeuta. 

"Existem uma variedade muito grande de joelhos, de pés, de tipos de encaixe. A gente considera esses encaixes como uma das partes principais da prótese, onde o corpo do paciente, a região residual, vai se conectar com a prótese. Então tem que ser muito confortável com um critério muito grande para esse paciente poder colocar carga dentro dessa prótese de forma confortável", destacou.

Uma vez que a prótese seja confeccionada, é feita uma série de exercícios de transferência de peso. Isso tudo varia, claro, da tolerância do paciente, já que é um processo que exige muito física e mentalmente.

"É importante salientar que todo o processo, a gente procura respeitar o tempo de cada paciente. Tem paciente que vai demorar um pouco mais a caminhar sem as muletas, alguns outros pacientes vão caminhar um pouco mais rápido sem as muletas, então a gente respeita e estabelece algumas metas possíveis, e sempre criando um ambiente na clínica de segurança, de confiança, para que ele possa ir evoluindo de uma forma natural", explicou.

Vítimas de incidentes com tubarão no Recife colocam próteses em tratamento de reabilitação | Foto: Instagram @ortopediaboaviagem/Cortesia

Nos casos de pacientes que passaram por experiências traumáticas, o cuidado exige uma atenção redobrada. Ainda assim, poder contribuir para a reabilitação dessas pessoas, segundo o especialista, é um privilégio.

"Participar desse processo de reabilitação é uma grande responsabilidade e um privilégio. A gente poder contribuir de alguma forma para que esse paciente se recupere, se reabilite e possa voltar para as suas suas atividades rotineiras de forma natural e adaptada muitas vezes", disse.

Relembre os casos

Em 31 de maio, João Lucas Castor Nemesio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e teve a perna esquerda amputada. 

Um dia depois, em 1° de junho, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi mordida por um tubarão da espécie tigre. Ela teve a perna direita amputada pelo próprio animal.

Com os dois casos, Pernambuco acumula um total de 84 incidentes com tubarões desde 1992, quando os dados começaram a ser contabilizados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações da Folha de Pernambuco

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