sexta-feira, 17 de abril de 2026

Deputado Romero Albuquerque é acusado de agredir, ameaçar e invadir casa de homem no Recife

Foto: Divulgação/Roberto Soares/Alepe

O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) é acusado dos crimes de lesão corporal, ameaça, violação de domicílio, roubo, associação criminosa, usurpação de função pública e porte ilegal de arma de fogo por episódio ocorrido em 22 de maio de 2025 no bairro da Estância, Zona Oeste do Recife. Segundo o advogado da suposta vítima, o parlamentar teria cometido as agressões acompanhado de pessoas armadas.

Informações colhidas pela polícia apontam que o deputado, na companhia de pessoas não identificadas, teria se dirigido até a residência da vítima, identificada como Matheus Fellipe Batista Alves. Matheus foi filmado dias antes agredindo um cavalo com chicote e pedaço de madeira. Já o deputado é conhecido por ter como principal bandeira a defesa dos animais.

"Segundo consta, o grupo liderado pelo parlamentar, agindo com aparente ímpeto de 'justiça privada', teria adentrado à força no domicílio da vítima, agredindo-a fisicamente com socos e uma coronhada, proferindo ameaças, e subtraindo seu aparelho de telefone celular, tudo isso sob a alegação de que estariam agindo em nome da lei para reprimir o crime ambiental pretérito", diz trecho de decisão judicial interlocutória do último dia 31 de março.

Na Delegacia de Polícia do Meio Ambiente, Matheus reconheceu ter agredido o cavalo após levar um coice. Ele narra que dias depois foi surpreendido com agressões físicas praticadas pelo deputado e outros homens que o acompanhavam, com um deles portando arma de fogo.

Já o deputado disse à polícia que esteve na casa de Matheus com dois assessores. Ele relata que houve uma discussão com o morador, que teria colocado a mão na bermuda, fazendo alusão a puxar algo.

"Em reação contínua o depoente pulou para cima daquela pessoa no intuito de se defender de um possível disparo de arma de fogo, daí ele, depoente, caiu ao solo juntamente com o rapaz identificado no vídeo como sendo o agressor do animal e, em decorrência da luta corporal, o depoente sofreu lesões", diz trecho do depoimento. O deputado declarou desconhecer que seus auxiliares estivessem armados, "acreditando que não, pois são pessoas que não têm porte de arma e nenhum histórico de violência".

O advogado Josinando de Lima Chung, que representa Matheus, critica a atuação da Polícia Civil no caso. Ele diz que sentiu o parlamentar ser protegido na Delegacia de Polícia do Meio Ambiente. Ao tentar dar andamento com o caso em outra delegacia, teve o processo arquivado por já estar em trâmite na unidade anterior.

"Eu tive que ir na promotoria, depois na Procuradoria-Geral do Ministério Público", conta o advogado ao Diario de Pernambuco. "O deputado agiu como se policial fosse", acusa.

Em manifestação, o Ministério Público concluiu que, em razão do cargo ocupado por Romero Albuquerque, a competência para julgamento seria do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

No último dia 31 de março, entretanto, o desembargador Alexandre Freire Pimentel, do 12º Gabinete do Órgão Especial, decidiu que não caberia foro privilegiado ao caso.

"Os fatos narrados na denúncia, conquanto graves e merecedores da devida apuração, descrevem uma conduta que não guarda qualquer liame com o exercício do mandato de deputado estadual", escreve o desembargador.

"A atuação do acusado, segundo a peça acusatória, deu-se no contexto de uma suposta ação de 'justiceiro', motivada por um crime de maus-tratos a animais. Trata-se, em tese, de um ato de autotutela, de exercício arbitrário das próprias razões, que se afasta por completo do rol de atribuições de um parlamentar", completa, determinando a remessa dos autos para o primeiro grau.

Em nota, a assessoria de Romero Albuquerque diz que ele investigou pessoalmente a denúncia de maus-tratos a um cavalo após uma denúncia formal ser encaminhada ao seu gabinete.

“Ao chegar ao endereço indicado, o deputado não praticou invasão de domicílio nem nenhum dos outros atos imputados pelo advogado do acusado da agressão ao animal dois meses após o episódio”, acrescenta a nota. “A conduta foi estritamente legal: o acionamento imediato da Polícia Militar, através de seus canais oficiais, que conduziu o denunciado à Delegacia de Meio Ambiente, onde tanto o acusado quanto o próprio deputado prestaram esclarecimentos”.

O posicionamento também defende que a acusação de invasão de domicílio não se sustenta. “Em declaração prestada no dia em que foi conduzido à delegacia, o próprio indivíduo afirmou ter se dirigido voluntariamente ao seu endereço. Isto contradiz diretamente a narrativa construída posteriormente por sua defesa”, declara.

A nota finaliza afirmando que o deputado "seguirá com o compromisso de fiscalizar denúncias de crueldade animal".

Discussão na Câmara

O vereador Eduardo Moura (Novo) e o deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) protagonizaram uma discussão acalorada na última terça-feira (14), na Câmara dos Vereadores do Recife. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais de ambos, que continuaram alimentando a divergência por meio de comentários e vídeos.

Eduardo Moura discursava criticando a gestão da prefeitura, comandada pelo PSB, afirmando que “pessoas que pensam diferente dentro da administração pública são colocados para fora". Nesse momento, com a chegada de Romero Albuquerque ao plenário, o vereador declarou que o deputado deveria permanecer no local para ouvir as críticas.

Em tom exaltado, Moura também afirmou ter recebido “ameaças veladas" de Romero pelo WhatsApp, mas disse que não respondeu às mensagens.

Na sequência, o deputado estadual foi até a tribuna para confrontar o vereador. Visivelmente nervosos, os dois precisaram ser contidos.

Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações do Diário de Pernambuco

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