quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Quatro adolescentes pernambucanas são resgatadas em casa de prostituição no Rio Grande do Norte

Polícia Civil detalhou o caso envolvendo aliciamento de menores de idade em casa de prostituição - Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) resgatou quatro adolescentes que estavam sendo obrigadas a trabalhar em um estabelecimento que funcionava como uma casa de prostituição no município de São Rafael, no Rio Grande do Norte. Uma mulher de 27 anos, responsável pelo aliciamento das menores e proprietária do espaço, foi presa em flagrante.

O resgate das adolescentes fez parte da Operação Anjos do Sol, deflagrada na última terça-feira (24) pela PCPE com o apoio da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN). Ao todo, oito agentes participaram diretamente da operação.

Três das adolescentes são residentes do Recife. A quarta adolescente mora em Jaboatão, na Região Metropolitana. As vítimas foram encaminhadas à rede de proteção e devem retornar para as respectivas cidades.

De acordo com o delegado Paulo Furtado, gestor da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a operação teve início após a denúncia da família de uma das adolescentes, recebida pela delegacia na última segunda-feira (23).

O delegado explicou, em coletiva de imprensa na quarta-feira (25), que a família da adolescente informou que tinha mais ou menos o conhecimento de onde a filha estava e que suspeitada que ela havia sido captada para a realização de alguma prática ilícita.

“Ela já estava desaparecida há alguns meses, ainda estamos apurando se um BO foi feito anteriormente em outro local, mas como a denúncia da família chegou para a DPCA na segunda-feira (23) agimos em caráter emergencial, viramos à noite nas apurações e conseguimos uma resolução em menos de 24h. Tomamos conhecimento no final da tarde da segunda-feira e na terça-feira de manhã a jovem já havia sido encontrada e as outras três também”, relatou Paulo Furtado.

Paulo Furtado detalhou como a indiciada aliciava as adolescentes, todas de famílias em situação de vulnerabilidade.

“Ela fazia propostas de emprego variadas às adolescentes, prometia que elas iam ganhar muito dinheiro, às vezes falava em ‘ser modelo’, influencer digital, mostrava fotos bonitas, fotos das praias”, explicou.

A mulher, que foi encaminhada ao sistema prisional e já está à disposição da Justiça, permanecerá no Rio Grande do Norte. Ela responderá pelos crimes de manter casa de prostituição, cárcere privado e exploração sexual de menores. Este último, artigo 218B do código penal, se refere a crimes contra a sexualidade de vulnerável, um crime inafiançável que pode levar de 7 a 16 anos de reclusão.

Ainda segundo o delegado, o local em que as adolescentes foram encontradas e eram mantidas “era bastante hostil, um ambiente insalubre” com colchões no chão.

Informações extraoficiais apontam que, apesar de poderem sair do local e andar na cidade, a proprietária e aliciadora criava mecanismos de dependência financeira, dificultando que deixassem o local sob o argumento de supostas “dívidas”.

“Isso ainda está sendo investigado. Mas, em geral, muitas das adolescentes e, às vezes, crianças nessas situações são ameaçadas a não saírem, ficam submetidas a uma dívida que na realidade é impagável, sempre na expectativa de que um dia ganharão mais dinheiro e acabam ficando por lá”, finalizou o delegado.
 
Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações da Folha de Pernambuco
 

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