sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Aluna denuncia assédio após ser agarrada e mordida por instrutor em academia da Zona Norte do Recife

Profissional foi denunciado à polícia e chegou a ser demitido, porém, recentemente, voltou a atuar no estabelecimento - Foto: Redes Sociais/Reprodução

A aluna de uma academia no bairro do Passarinho, na Zona Norte do Recife, denunciou um instrutor do estabelecimento por assédio após ter sido agarrada e mordida no ombro pelo homem. O caso aconteceu em 19 de maio deste ano e foi gravado por uma câmera de segurança da academia ElevaFit, que mostra o momento da ação.

À época dos fatos, o profissional foi denunciado à polícia e chegou a ser demitido, porém, recentemente, voltou a atuar no estabelecimento, trazendo o caso novamente à tona. A academia alega que a atuação foi pontual.

Em entrevista ao g1, a vítima informou que malhava no local há aproximadamente um ano e que o instrutor costumava a ter "atitudes desagradáveis" com ela. A mulher relatou não o conhecer e disse que praticava exercício na data do ocorrido quando foi abordada pelo instrutor.

"Ele disse 'deixa eu te dar um abraço' e eu respondi 'não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não'. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação", afirma a aluna.

O vídeo mostra quando o instrutor segura a aluna pela cintura, a morde nas costas e simula que vai derrubar a mulher. Quando ela se solta, sai andando para longe dele e limpa o local da mordida. O homem chega a fazer um coração com as mãos em direção à vítima.

Outras pessoas estavam no local, mas não reagiram. A denúncia foi registrada pela vítima três dias depois, e o homem, afastado do estabelecimento.

O caso teve novo desdobramento na quarta-feira (19), três meses depois do ocorrido, quando a mulher encontrou o instrutor atuando na mesma academia. Ela afirma ter ligado para a delegacia onde foi registrado o boletim de ocorrência e ter sido orientada a ir presencialmente prestar queixa.

A vítima destaca que, na quinta-feira (20), esteve na Delegacia da Mulher de Santo Amaro, na área central do recife, onde registrou a caso como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.

A reportagem procurou a Polícia Civil de Pernambuco, que informou ter registrado no dia 22 de maio, na 15ª Delegacia da Mulher em Olinda, as ocorrências de importunação sexual e assédio sexual, ocorridas no interior de uma academia, tendo como vítima uma mulher de 25 anos.

"Um inquérito policial foi instaurado para apurar todos os fatos e a investigação segue em andamento", ressaltou a corporação.

O que diz a academia 

Em nota enviada à Folha de Pernambuco desta sexta-feira (21), a ElevaFit informou que ao tomar conhecimento do caso no mês de maio, tratou a situação com seriedade e adotou providências com o desligamento do profissional.

"A academia não coaduna, não normaliza e não concorda com a atitude praticada pelo profissional. Desde o ocorrido, também se colocou à disposição para cooperar e prestar todo o suporte possível à aluna envolvida, inclusive disponibilizando a ela as imagens do ocorrido", afirma o comunicado.

Ainda de acordo com a nota, o homem não foi readmitido e nem reintegrado ao quadro de funcionários, e sim cobrindo diárias de dois profissionais afastados.

"Diante dessa emergência e após tentativas de conseguir outros profissionais para realizar essas substituições, o ex-profissional foi chamado pontualmente para a cobertura de apenas duas diárias. Não houve readmissão ou retorno definitivo ao quadro da academia", destaca a ElevaFit.

A academia reconhece que a decisão pontual pode causar questionamentos, mas esclarece que "jamais houve intenção de minimizar o ocorrido".

Confira nota da academia ElevaFit na íntegra:

 "A situação envolvendo a aluna e o então profissional da academia aconteceu no mês de maio. Assim que a administração tomou conhecimento do relato, a situação foi tratada com seriedade e foram adotadas as providências que estavam ao nosso alcance naquele momento, inclusive com o desligamento do profissional.

A academia não coaduna, não normaliza e não concorda com a atitude praticada pelo profissional. Desde o ocorrido, também se colocou à disposição para cooperar e prestar todo o suporte possível à aluna envolvida, inclusive disponibilizando a ela as imagens do ocorrido, justamente para que pudesse adotar as providências que entendesse necessárias.

É importante esclarecer também a informação de que o profissional teria “voltado a trabalhar”
na academia.

O profissional foi desligado em maio e não foi readmitido nem reintegrado ao quadro de funcionários.

Somente agora, no mês de agosto, aproximadamente três meses depois do ocorrido, a academia enfrentou uma situação absolutamente excepcional: dois profissionais da equipe precisaram se afastar simultaneamente por questões relacionadas a acidentes/benefícios, deixando a academia sem profissional habilitado para a cobertura de determinados horários.

Diante dessa emergência e após tentativas de conseguir outros profissionais para realizar essas substituições, sem sucesso naquele momento, o ex-profissional foi chamado pontualmente para a cobertura de apenas duas diárias. Não houve readmissão ou retorno definitivo ao quadro da academia.

Durante todo esse período entre maio e agosto, a administração não havia recebido qualquer nova informação acerca de desdobramentos do caso. Antes dessa cobertura excepcional, inclusive, foi questionado ao ex-profissional se havia ocorrido alguma nova situação relacionada ao episódio, tendo sido informado por ele que não.

Compreendemos que, olhando a situação agora e diante de toda a repercussão que surgiu, essa decisão pontual possa causar questionamentos. Mas é importante esclarecer que jamais houve intenção de minimizar o ocorrido, desconsiderar o relato da aluna ou simplesmente colocar novamente o profissional no quadro da academia.

A academia permanece à disposição da aluna e das autoridades para cooperar com tudo o que estiver ao seu alcance, assim como fez desde que tomou conhecimento do episódio.

Nosso compromisso continua sendo com a segurança, o respeito e o bem-estar de todos que frequentam a academia".

Da redação do Blog Raio do Agreste de Pernambuco
Com informações da Folha de Pernambuco


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Aluna denuncia assédio após ser agarrada e mordida por instrutor em academia da Zona Norte do Recife

Profissional foi denunciado à polícia e chegou a ser demitido, porém, recentemente, voltou a atuar no estabelecimento - Foto: Redes Sociais/...